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VIAS ROMANAS no noroeste hispânico, vias de comunicação, conquista, expansão da romanização e o comércio

Um dos maiores presentes que nos legou o Império romano foi a rede de calçadas que uniam os locais mais longínquos do Império com a capital. A expressão: “Todos os caminhos vão dar a Roma” traduz os primeiros anos da Era Cristã, quando nos referimos às Vias Romanas, cuja principal fonte escrita sobre o traçado é o denominado Itinerário de Antonino, documento anónimo do século III.

Assim aconteceu no noroeste da Península Ibérica, durante os últimos lustros do século I antes da nossa Era e no noroeste hispânico deu-se a definitiva conquista e a anexação ao domínio romano do território peninsular que faltava conquistar.

Inicialmente ocorreu um choque de civilizações, a urbana mediterrânea e a rural castreja da finisterra Atlântica. Roma respeitou, aparentemente, os módulos civilizadores dos países conquistados, mas rapidamente os submeteu a uma transformação através da aplicação dos programas urbanísticos amplamente elaborados.

As três legiões acantonadas na faixa norte peninsular são as encarregadas, inicialmente, de dirigir a transformação.

No noroeste fundam-se três núcleos urbanos estratégicos destinados a ser capitais de conventos jurídicos, circunscrições que Roma estabelece para articular o organigrama dos domínios na área. Trata-se de grandes parcelas administrativas cujas capitais são: Braga, Astorga e Lugo. A primeira nasceu quase do nada e as duas seguintes foram acampamentos da conquista reconvertidos em assentamentos civis.

Moinho

Porém, para o desenvolvimento e a romanização da área, para além da fundação de núcleos populacionais era necessária a comunicação através de uma rede viária estável e organizada, imprescindível, tanto para fazer chegar os influxos comerciais e romanizados como para facilitar o controlo militar e a exploração mineira da área. Tudo isto coincidiu no tempo com uma profunda reorganização, melhor instauração, do cursus publicus , (correio público) levado a cabo pelo Imperador Augusto para todo o Império; e o longínquo noroeste hispânico não ficou aquém da atenção romana.

A primeira das calçadas em ser construída foi a que unia Bracara com Asturica através de Aquae Flaviae. Teve início por volta do ano 10 a.C., visto que os primeiros miliários conhecidos da inauguração datam do ano 3-2 antes da Era. Continuava uma derrota mais ou menos rectilínea, incluindo, segundo o Itinerário de Antonino, as mansões de: Salacia, Praesidium, Caldunum, Ad Aquas, Pinetum, Reboretum, Compeutica, Veniatia, Paetavonium, Argentiolum, e Asturica Augusta.

As mansões eram uma paragem na via, normalmente a uma distância razoável da anterior e, geralmente, dotada de atractivos, tais como belas paisagens, águas termais e um núcleo habitado importante, entre outros. Pelo contrário, uma mutatio era um estabelecimento de mudança de animais de tiro estabelecida normalmente cada quatro ou cinco milhas, pelo que só contava com um estábulo e com uma rústica moradia que pertencia aos cuidadores.

Ao longo da Via XVII, as mansões mais importantes do percurso foram Ad Aquas, convertida, no tempo de Vespasiano, em Aquae Flaviae, actualmente, cidade portuguesa de Chaves, que foi o primeiro município romano conhecido de todo o amplo noroeste, e Paetavonium, actualmente, Rosinos de Vidriales, em cujas imediações se instalava um famoso acampamento militar que, sem dúvida, teve muito a ver com o traçado e a construção da própria Via.

 

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